Cidalc al Día
Para
Reflexionar
BANCO
ÉTICO
Frei Betto
En
1998 un grupo de italianos fundó el Consorcio Étimos, red de cooperativas de
micro crédito destinada a atender a las personas de baja renta, que no soportan
los intereses bancarios que maneja el sistema financiero ni consiguen atravesar
la barrera burocrática que les impide ser tratadas como ciudadanas. El pobre agricultor que entra en una agencia
bancaria no siempre es acogido de igual forma que el gran estanciero de la
zona.
Once años más tarde, el consorcio se
había expandido tanto que engendró un hijo, el cual es hoy mucho más grande y
más rico que el padre:
el Banco Popular Ético, de cuya asamblea de accionistas participé
el sábado, 29 de mayo en Pádua, Italia, para hablar
del programa Fome Zero. Dentro de esta prioridad del gobierno
federal, el banco italiano se dispone liberar 3 millones de euros para micro
crédito de familias brasileras que viven en asentamientos rurales.
Cinco años después de su fundación,
el Ético cuenta con 23 mil accionistas y cerca de 100 mil clientes, un capital
de 260 millones de euros y un volumen de crédito de 160 millones de euros. Sus agencias se extienden por ocho ciudades
italianas, y en otras 60 existen equipos de voluntarios que promueven eventos
sobre finanzas éticas, además de los diez “banqueros ambulantes”
que recorren Italia ofreciendo crédito a pequeñas cooperativas.
Los principios que rigen la
actividad del banco se centran en el modelo de desarrollo humano y social
sustentable, considerando la producción de riqueza y su distribución
enraizadas en los valores de la solidaridad, la responsabilidad social y
la promoción del bien común.
Les caracteriza el hecho de que los
clientes deciden en qué área del tercer sector quieren invertir su dinero: cultura popular (incentivo a grupos de
teatro, música, ballet, etc., integrado por jóvenes artistas de familias de
baja renta); cooperación social (capacitación y cualificación
profesional de portadores de deficiencias físicas y mentales); cooperación
internacional (micro crédito a cooperativas de países pobres, ONGs actuantes en programas sociales, Fome
Zero, etc.); medioambiente (proyectos de energía
reciclable , agricultura orgánica, educación para el medioambiente, etc.).
Un comité ético, electo por los
accionistas, ejerce el control sobre las inversiones, a fin de asegurar que
todos los proyectos tengan, de hecho, valor social y estén volcados a la
inclusión de las personas que, por alguna razón, son víctimas de un sistema que
prioriza la competitividad sobre la solidaridad y, encima, no considera la
pobreza como una grave violación de los derechos humanos.
En el
Banco Ético, todo funciona en la más completa transparencia. A través de la página del banco (www.bancaetica.com),
que actúa en 42 países, el cliente
accede a la lista completa de las entidades financiadas y al monto de recursos
invertidos. O sea, se sabe para dónde va
el dinero, lo que, dígase de paso, pocos bancos gustan de informar.
En
Brasil, el Banco Ético pretende actuar en articulación con cinco ministerios: el de Trabajo, de
Medio Ambiente, de Hacienda, de Desarrollo Agrario y de Desarrollo Social. El MDA asegura a través de un fondo de
garantía, el recurso captado por pequeñas cooperativas de crédito. Los intereses serán del 6,5% al año! Y la diferencia de
cambio entre euro y real será solidariamente cubierta por otro banco ético, la
Caja de los Trabajadores y las
Trabajadoras de Québec, en Canadá. La cualificación técnica de los agentes de este programa
quedará en manos de la CEPAL, organismo de las Naciones Unidas.
Es en esta dirección que el
presidente Lula orientó al Banco de Brasil para abrir el Banco Popular de
Brasil, que ya funciona en 22 locales (tiendas, lanchonettes,
panaderías, etc.), las que llegarán a 400 para fin de este mes. Es suficiente que el interesado abra una
cuenta presentando documentos como el RG y el CIC (el banco ayuda al cliente a
obtener este último) y contratar un préstamo de R$50,
con intereses del 2,5% al mes, disponiendo de hasta 6 meses para pagar la
primera prestación. Pasa, entonces, a
tener derecho a retirar R$100, pudiendo llegar hasta
un máximo de R$300.
Hasta ahora ya son 2 mil los beneficiados por esta modalidad popular de
crédito. (Por más informaciones, llamar
al teléfono 08007-292929).
Conviene recordar que las
estadísticas muestran que los más pobres son mejores pagadores.
Frei Betto es
escritor, autor de “El Vencedor” (Ática) entre otros libros.
Traducción:
Jackie Paullier
BANCO
ÉTICO
Frei Betto
Em 1998, um grupo de italianos fundou o Consórcio Étimos, rede de cooperativas de microcrédito voltada às pessoas de baixa
renda que não suportam os juros bancários geralmente praticados e nem conseguem vencer a malha burocrática que as impede
de serem tratadas como cidadãs.
Um pobre agricultor que entra numa
agência bancária nem sempre é acolhido
do mesmo modo que o grande fazendeiro
da região.
Onze anos depois, o consórcio havia se
expandido tanto que gerou um
filho, hoje bem maior e mais
rico do que o pai: o Banco Popular Ético, de cuja assembléia de acionistas participei no sábado, 29 de maio,
em Pádua, na Itália, para falar do Fome Zero.
Dentro dessa prioridade do governo federal, o banco italiano se dispõe
a liberar 3 milhões de euros para microcrédito
de famílias brasileiras que
vivem em assentamentos rurais.
Cinco anos após a
sua fundação, o Ético conta com 23 mil acionistas e cerca de 100 mil correntistas,
um capital de 260 milhões
de euros e um volume de
crédito de 160 milhões de euros. Suas
agências se estendem por oito cidades italianas, e em mais 60 há
equipes de voluntários que promovem
eventos sobre finanças éticas, além
dos dez "banqueiros
ambulantes" que percorrem a Itália
oferecendo crédito a pequenas
cooperativas.
Os princípios que
regem a atividade do banco centram-se no modelo de desenvolvimento
humano e social sustentável, considerando a produção da riqueza e a sua distribuição enraizadas nos valores da solidariedade,
da responsabilidade social e na
promoção do bem comum.
Caracteriza-o o fato
de seus correntistas decidirem em que área do terceiro setor querem seu dinheiro
investido: cultura popular (incentivo a grupos de teatro, música, balé etc., integrados por jovens
artistas de famílias de baixa
renda); cooperação social (capacitação e qualificação profissionais de portadores de deficiências
físicas e mentais); cooperação
internacional (microcrédito a cooperativas de países
pobres, ONGs atuantes em programas sociais, Fome Zero etc.); meio ambiente (projetos de energia reciclável, agricultura orgânica, educação para o meio ambiente etc.).
Um comitê ético, eleito pelos acionistas, exerce o controle
sobre os investimentos, a fim
de assegurar que todos os projetos
tenham, de fato, valor
social e estejam voltados à
inclusão de pessoas que,
por alguma razão, são vítimas de um sistema que prioriza a competitividade
sobre a solidariedade e ainda
não considera a pobreza uma
grave violação dos direitos
humanos.
No Banco Ético tudo
funciona na mais completa transparência. Pelo site do banco
(www.bancaetica.com), que atua em
42 países, o correntista fica
conhecendo a lista completa das entidades financiadas
e o montante de recursos investido. Ou seja, sabe-se para aonde vai o dinheiro, o que, diga-se de
passagem, nem todo banco gosta de informar.
No Brasil, o Banco Ético pretende atuar articulado com cinco ministérios: Trabalho, Meio Ambiente, Fazenda, Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social. O MDA, através
de um fundo de garantia, assegura o recurso captado por pequenas
cooperativas de crédito. Os juros serão de 6,5% ao ano! E a diferença
de câmbio entre o euro e o real será solidariamente coberta por outro banco ético, a Caixa dos Trabalhadores e das Trabalhadores de Quebéc, no
Canadá. A qualificação técnica dos agentes desse programa ficará por conta da CEPAL, organismo da ONU.
É nessa direção que o presidente Lula orientou
o Banco do Brasil para abrir o Banco Popular do Brasil, que já
funciona em 22 pontos de atendimento
(lojas, lachonetes, padarias etc) e, até o fim deste mês,
serão 400. Basta o interessado
abrir uma conta apresentando o seu RG e CIC (este
o banco ajuda o cliente a obtê-lo)
e contratar um empréstimo
de R$ 50, a juros de 2,5% ao
mês, devendo pagar a primeira prestação em, no máximo, 6 meses. Passa, então, a ter direito
de sacar R$ 100, podendo
atingir o teto de R$ 300.
Até agora já são 2 mil os beneficiados por essa
modalidade popular de crédito. (Mais
informações pelo tel:
08007-292929).
É bom lembrar que as estatísticas mostram que os mais pobres são os menos inadimplentes.
Frei Betto é
escritor, autor de "O Vencedor" (Ática), entre outros
livros.