Cidalc al Día
Para
Reflexionar
EL ARTE DE ZAMBULLIRSE
Frei Betto
Meditar es fácil aunque parezca difícil. Es como aprender a nadar o a andar en bicicleta.
Para quien no sabe, son tareas arriesgadas, peligrosas. Después que se aprende, se hacen sin pensar.
Para
aprender a meditar, debo tener un mínimo de disciplina: reservar tiempo, así como dejo todo
para comer o para dormir. La disculpa de
la falta de tiempo es una señal de que no estoy, de verdad, deseando entrar en
comunión con Dios. Nadie aprende a nadar
sin dedicar un cierto tiempo a aprender.
La
meditación es una experiencia amorosa.
Quien ama dedica tiempo a la persona amada. Sin agenda, prisa o teléfono. Y sin la menor preocupación sobre lo que se
tendrá que conversar. Los verdaderos
amantes saben estar en silencio, disfrutando simplemente de la presencia uno
del otro.
Debo
ser muy consciente de que mi mente egocéntrica no es capaz de entrar en el
mundo de la meditación. Se medita con el corazón, no con la razón; con el
inconsciente, no con el consciente; con el no pensar, no con el pensar. De esta manera paso de la condición de
conductor a la de conducido.
Debo
perder la manía de querer controlar todo a través de mi mente. Preciso despojarme de ella. Acallarla. Penetrar en sus bastidores. Introducirme en ella por el lado de
atrás. Cerrar los ojos de la mente, tan
golosa y soberana. Cuanto más consiga
cegarla, veré más la luz. La mente es
capaz de asimilar la física de la luz, pero no la luz propia. Ésta solo
es captada por la meditación.
Meditar
es zambullirse en el mar. No puedo
poseer o retener al océano. Pero puedo
bañarme en el, dejar que me envuelva, acune y cargue en sus olas. Comienzo a meditar desde que soy capaz de
zambullirme.
El
mar está siempre allá. Soy yo quien debo
caminar en su dirección. Él nunca se
aleja de mi y siempre está pronto para recibirme. Pero tengo que liberarme de las ropas que
tanto le pesan a mi ser. Cuanto menos lleve, estaré más liviano dentro
del agua.
Entro
al mar. Casi no sé nadar. De golpe me doy cuenta que no hago pie. Es allí que se inicia la meditación. Mi ego siente que ya no tiene apoyo. La
fuerza del agua que me envuelve es mayor que mi capacidad de caminar dentro de
ella.
Cuanto
mas hondo entro al mar, mas agua me envuelve.
Cuanto mas me zambullo, mayor es la profundidad a la que alcanzo. A mi alrededor, del
lado derecho y del izquierdo, sobre la cabeza y debajo de los pies, todo es
océano.
Esto
es meditar. No debo inquietarme si una
idea furtiva o una preocupación me aparta de la playa. Es suficiente con volver al agua, porque es
infinito el océano de la meditación.
La
meditación dilata nuestra capacidad de abrirnos al amor de Dios y de amar al
prójimo. Y nos induce a no dar
importancia a lo que no tiene importancia, librándonos de sufrimientos
inútiles.
Frei Betto es
escritor, auto de “Gosto de Uva” (Garamond), entre otros libros.
Traducción: Jackie Paullier
A ARTE DE MERGULHAR
Frei Betto
Meditar é fácil, embora aparentemente difícil.
É como aprender a nadar ou andar de bicicleta. Para quem não sabe, são tarefas arriscadas, perigosas. Depois que se aprende,
faz-se sem pensar.
Para aprender a meditar, devo ter um mínimo de disciplina:
reservar tempo, assim como largo tudo
para fazer uma refeição e também para dormir. A desculpa da falta de tempo é o sinal de que não estou mesmo
desejando entrar em comunhão com Deus.
Ninguém aprende a nadar sem
dedicar um certo tempo ao aprendizado.
A meditação é uma experiência amorosa. Quem ama
dedica tempo à pessoa amada. Sem
agenda, pressa e telefone
ligado. E sem a menor preocupação
com o que se haverá de
conversar. Os verdadeiros amantes sabem
ficar em silêncio, curtindo tão-somente a presença
um do outro.
Devo estar bem
consciente de que a minha mente egocêntrica
não é capaz de entrar no mundo da meditação.
Medita-se com o coração, não com a razão;
com o inconsciente, não com o consciente; com o não-pensar, não com o pensar. Assim, de condutor passo à condição de conduzido.
Devo perder a mania
de querer tudo controlar através
de minha mente. Preciso despojar-me dela. Calá-la. Penetrar os seus bastidores. Virá-la pelo avesso. Fechar os olhos da mente,
tão gulosa e soberana. Quanto
mais conseguir cegá-la, mais verei a luz. A mente é capaz
de apreender a física da luz. Mas não
a própria luz - esta, só a meditação capta.
Meditar é mergulhar no mar. Não posso possuir
ou reter o oceano. Mas posso banhar-me nele, deixar que me envolva, embale e carregue em suas ondas. Se sou capaz desse mergulho, então começo a meditar.
O mar está sempre lá.
Eu é que devo dar os passos em sua
direção. Ele jamais se afasta de mim e está sempre pronto a me receber. Mas devo livrar-me das roupagens que tanto pesam em meu ser. Quanto
menos, mais leveza dentro
da água.
Entro no mar. Mal sei nadar. De repente, percebo que já não da pé. É quando
se inicia a meditação. O meu
ego sente que já não tem apoio.
A força da água que me envolve é maior que a minha capacidade de caminhar dentro dela.
Quanto mais fundo
penetro no mar, mais água
me envolve. Quanto mais mergulho, maior a profundidade alcançada. Em torno de mim, do lado direito e do esquerdo, acima da cabeça e abaixo dos pés, tudo é oceano.
Eis a meditação. Porém, se uma idéia
furtiva ou uma preocupação me atira na praia, não
devo me inquietar. Basta retornar à água. Pois é infinito o oceano da meditação.
A meditação dilata a nossa
capacidade de abrir-se ao
amor de Deus e amar o próximo. E nos induz a não dar importância ao que não tem importância,
livrando-nos de sofrimentos
inúteis.
Frei Betto é
escritor, autor de "Gosto de Uva" (Garamond), entre outros livros.