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Asunto:[pastoralvihsida] Frei Lunardi: Presentación en el IV FORO 2007 Buenos Air es.
Fecha:Jueves, 26 de Abril, 2007  20:25:07 (-0300)
Autor:Lisandro Orlov <orlov @...............ar>

Respostas da Comunidade de Fé na Defesa dos Direitos Humanos e o HIV/Aids

 

Quero iniciar minha contribuição a esta mesa dizendo que a reflexão que trago é feita a partir do ponto de vista de um participante da Igreja Católica do Brasil engajado no serviço que se organiza desde 2002: a Pastoral da Aids.

 

Dizer que a Pastoral da Aids começou em 2002, não significa que antes deste ano a Igreja não tenha se envolvido com a questão do HIV. Desde o início da epidemia, a igreja teve atuação no campo da aids. Foi uma das pioneiras, no tempo que ainda se desconhecia a doença, que tudo se temia e se evitava, a oferecer acolhida, casa e apoio às pessoas infectadas pelo HIV e doentes. Para muitos que não tinham onde ficar, nem para onde ir, a Igreja ofereceu solidariedade.

 

Desde 2002, com o aval e o consentimento dos Bispos, criou-se, no Brasil, a Pastoral DST/Aids. O trabalho da Pastoral da Aids foi assumido plenamente pela Conferência Episcopal. Na assembléia de 2003 os Bispos do Brasil votaram o seguinte texto.

 

"A Igreja assume o serviço de prevenção ao HIV e assistência aos soropositivos: a igreja assume este serviço e, sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende os direitos daqueles e daquelas que foram infectados pela Aids. Faz também o trabalho de prevenção, pela conscientização dos valores evangélicos, sendo presença misericordiosa e promovendo a vida como bem maior.”(Diretrizes Gerais da CNBB 2003-2006, nº.123)

 

A Pastoral nasceu como resposta à solicitação de um grupo de pessoas soropositivas cristãs que já eram militantes do Movimento de Aids e sentiam a necessidade de envolver toda a Igreja na causa. Também compreendiam e acreditavam na contribuição da Igreja no controle da epidemia e no acompanhamento das pessoas atingidas pelo HIV.

  

Desde o início do trabalho da Pastoral, há lideranças com HIV em seus quadros. A Igreja tem feito um esforço desde o início para promover o protagonismo das pessoas que vivem com HIV/Aids.

 

As pessoas que tinham HIV sentiam necessidades de permanecer na comunidade como membros atuantes, não queriam ser excluídos simplesmente por terem HIV queriam participar e manter o grupo de amizade e convívio. Muitos consideram que a dimensão  religiosa é fundamental para a vida saudável.

 

 

Ao criar a Pastoral da Aids, se criou uma estratégia de envolvimento e contribuição e não de ataque. Sabe-se dos limites institucionais que a Igreja apresenta, mas se optou por trabalhar desde dentro para oferecer uma resposta de acolhida e inclusão das pessoas que vivem com HIV Aids.

 

A Pastoral trabalha na dimensão da prevenção, acompanhamento e assistência.

 

a) PREVENÇÃO:

Consiste em formar e informar para que a pessoa, esclarecida, consciente e conhecedora de seus comportamentos e vulnerabilidades possa decidir qual o melhor modo para evitar o contágio.

Nosso compromisso como Pastoral é fornecer toda a informação. Temos um potencial e uma especificidade achamos que desenvolvemos nosso papel na área da prevenção pela capacidade e abertura em fazer parceria e trabalho complementar com órgãos governamentais e Sociedade civil.

Ao mesmo tempo nos capacitamos e nos envolvemos para o enfrentamento programático das vulnerabilidades. Fazer prevenção ao HIV significa apoiar vários movimentos e políticas que reduzem as vulnerabilidades sociais de nossa população: combate à miséria, ao analfabetismo são exemplos de lutas que apoiamos.

 

b) ASSISTÊNCIA E ACOMPANHAMENTO

A Igreja mantém muitas casas de apoio, muitos Centros de Convivência que ajudam às pessoas a aprender a viver com HIV e fazer boa adesão ao tratamento.

No Brasil, a sociedade tem conseguido garantir que o Estado cumpra suas obrigações na assistência (medicamentos, exames, consultas...). A constituição nacional afirmar que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado.

 

Nessa compreensão cabe à Pastoral lutar para que as pessoas tenham acesso a esses serviços.

Nos Centros de Convivência, a Pastoral oferece também grupos e dinâmicas que ajudam a pessoa a vencer discriminação e preconceito.  Há trabalho para que as pessoas informem-se sobre seus direitos e busquem sua efetivação e garantia.

Trabalhamos como Pastoral no empoderamento das pessoas HIV/Aids e os agentes cristãos das comunidades para o controle social das políticas públicas.

 

Estamos nos organizando, aprofundando, trabalhando na iluminação bíblica teológica para encontrar saídas, propostas e ações que realmente contribuam na luta contra a epidemia e para que cada vez mais as pessoas vivendo com HIV tenham qualidade de vida e dignidade.

Existe hoje em vários setores da Igreja um grande esforço e discussão sobre as implicâncias que a epidemia traz para o contexto pastoral da Igreja.

 

Sem dúvidas houve nos últimos anos um grande crescimento no sentido de acompanhar os desdobramentos que a epidemia traz para a sociedade e para a Igreja. Há uma clareza maior sobre a nossa vulnerabilidade e a necessidade do engajamento de todos os setores sociais para darmos uma resposta satisfatória à epidemia que de uma forma ou de outra atinge a todos.

 

A Pastoral da Aids participa como núcleo motivador da Rede da Igreja frente ao HIV Aids Latinoamericana e Caribe organizada inicialmente com 9 países e mantemos intercâmbios com experiências inovadoras em outros países.

 

Poderíamos nos perguntar: Qual é o caminho? Eu creio que não temos o caminho. Temos caminhos. Estamos construindo conjuntamente com a sociedade civil, com órgãos governamentais  propostas que possam contribuir no controle da epidemia. O importante é que todos nos sintamos participantes desta luta e que possamos sentir que atuamos na forma de complementaridade.

 

Temos muito ainda a fazer, coisas a ampliar, direitos a conquistar, coisas a modificar, pois estamos num processo.

A Aids é a ponta de um iceberg. Precisamos ampliar o interesse, o discurso e as ações na perspectiva da formação humana e melhoria das condições de vida da maioria da população.

Acredito que o esforço  será vão se não colocarmos a luta contra a aids no contexto maior da construção de uma sociedade justa e solidária, onde a pessoa, com seus direitos respeitados, seja colocada no centro. Nenhum interesse pode ser colocado acima da vida de todos os seres humanos e de cada um em particular.


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